Foi realizada nesta sexta-feira (17/5), no Fórum Ruy Barbosa, em
Salvador, a Reunião de Juízes de Cooperação, presidida pelo Conselho
Nacional de Justiça (CNJ). A reunião discutiu assuntos referentes à Rede
Nacional de Cooperação Judiciária, instituída pela Recomendação nº
38/2011 do CNJ, que busca promover mais fluidez, agilidade e eficácia ao
intercâmbio de atos judiciais, além de favorecer o exercício de uma
jurisdição mais harmônica e colaborativa.
O principal objetivo da reunião foi apresentar as aplicações práticas
da cooperação judiciária e a importância do trabalho em rede para
solucionar os problemas enfrentados pela Justiça no país, principalmente
o mais apontado pela população que é a morosidade.
O evento, que já aconteceu em quase todas as capitais brasileiras, foi
aberto pelo conselheiro do CNJ e presidente da Comissão de Acesso a
Justiça e Cidadania, Ney Freitas, que fez questão de lembrar que a
Justiça é nacional e que toda e qualquer separação não faz sentido. “ É
preciso modificar esse padrão cultural de justiças separadas e
fortalecer a cooperação para reduzir o tempo de solução dos processos”,
afirmou o conselheiro
O princípio da cooperação é ter o magistrado como agente colaborador do
processo e ter no diálogo sempre a melhor postura a ser adotada. O
modelo de cooperação adotado pelo CNJ é inspirado no sistema utilizado
na União Européia, que envolve a jurisdição de diversos países e vem
obtendo excelentes resultados.
Para a juíza do TRT do Paraná, palestrante do evento, é importante
aproximar o Judiciário de si próprio. “São 91 tribunais espalhados pelo
país e há um desencontro de informações e de competência que o juiz de
cooperação está ajudando a solucionar”, destaca a juíza, que lembrou que
o sistema de cooperação está solucionando questões como produção de
prova pericial através de carta precatória. “ Alguns estados já estão
colhendo material genético e devolvendo a carta precatória com o laudo
pericial completo. Isso reduz os custos e permite uma solução mais
rápida do processo”, afirmou a magistrada.
A partir da Recomendação do CNJ, o Tribunal de Justiça do Estado da
Bahia (TJBA) constituiu, em janeiro de 2012, o Núcleo de Cooperação
Judiciária e instituiu a figura do Juiz de Cooperação, facilitando o
intercâmbio entre os tribunais do país. “O procedimento desburocratizou
o trabalho e fez com que trabalhassemos em rede em busca de uma Justiça
mais célere”, avalia Ricardo Schmitt,assessor especial da presidência do
TJBA e juiz de Cooperação.
Essa é uma ferramenta de fundamental importância para os tribunais,
além de estabelecer a figura do juiz de cooperação para ser o elo com os
outros tribunais do país, fortalece o diálogo entre as instituições. “Os
tribunais funcionam como verdadeiras ilhas e os núcleos de cooperação
vão direcionar os processos para os lugares corretos, de forma que eles
não fiquem parados sem solução”, destaca a presidente do Tribunal
Regional do Trabalho 5ª Região (TRT5) , desembargadora Vânia Chaves.
Compuseram a mesa do evento, a desembargadora Telma Britto,
representando o presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia
(TJBA), desembargador Mario Alberto Hirs; o conselheiro do CNJ e
presidente da Comissão de Acesso à Justiça e Cidadania, Ney Freitas; a
presidente do Tribunal Regional do Trabalho 5ª Região (TRT5 ),
desembargadora Vânia Chaves; a presidente da Associação de Magistrados
da Bahia (AMAB), Nartir Dantas Weber; a juíza Ana Paula Sefrim Saladini,
do TRT do Paraná, e o juiz federal Saulo Casali.
Participaram da reunião os magistrados em exercício da Comarca de
Salvador que atuam nas Varas dos Feitos Cíveis e Comerciais, Criminais
comuns e especializadas, de Fazenda Pública Tributária e Administrativa,
de Família, do Sistema dos Juizados Especiais, de Acidente do Trabalho,
de Registros Públicos e de Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher.