O diabete melito é doença ligada a um desarranjo no metabolismo dos açúcares, decorrente da insuficiente produção de um hormônio fabricado pelo pâncreas – a insulina, que é responsável pela mobilização da glicose sangüínea para dentro dos tecidos, onde vai cumprir seu papel de fonte energética – ou pela incapacidade da célula em responder à ação da insulina (resistência à insulina). Sua importância em medicina deriva da alta prevalência (em torno de 10% da população), elevada morbidade (capacidade de produzir manifestações de doença ) e mortalidade, ligada às severas complicações da doença não controlada.
Grosso modo, podem identificar-se dois tipos de diabete: tipo 1 (DM-1) associado à destruição das células produtoras de insulina, no pâncreas, e tipo 2 (DM- 2), em que podem coexistir uma insuficiente produção de insulina e uma elevada resistência à mesma. O tipo 1 é mais comum nos jovens e o tipo 2, nos adultos. Fatores genéticos estão implicados em ambos os tipos.
Do ponto de vista clínico, as manifestações típicas da doença são: aumento de apetite, sede exagerada, aumento do volume urinário e perda de peso. As lesões decorrentes do diabete se localizam, principalmente, no sistema nervoso periférico e no sistema vascular, ocasionando quadros de polineurite (dormência, formigamento, perda de sensibilidade) e vasculite (obstrução de pequenos vasos das extremidades, fundo do olho, rins e cérebro), levando a necrose e amputação de membros, cegueira e infartos. Capítulo importante é o das infecções das extremidades inferiores, constituindo o chamado “pé diabético”, o que pode culminar, se não devidamente identificado e tratado, em amputação do membro.
O diabete melito tem um caráter hereditário importante, no entanto estima-se que 80 a 90% dos portadores da doença sejam obesos e, quando a deposição de gordura se dá mais na região abdominal, o fator sobrepeso/obesidade é agravado. O sedentarismo é considerado um outro fator de risco para o desenvolvimento do diabete.
O tratamento envolve dieta, exercícios físicos, controle do peso corporal e a utilização de medicamentos, do tipo insulina (basicamente para o tipo 1) e substâncias que estimulam a produção de insulina ou facilitam sua ação nas células. Mas a estratégia mais eficaz é agir para não adoecer. A educação e a prevenção constituem um arsenal a ser utilizado contra a instalação da patologia.
14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes
José Fernando Figueiredo
Médico Clínico GMO/Ipraj