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O estudante Egberto Santana, 24 anos, integrante da União de Negros pela Igualdade (Unegro) e vice-presidente da ONG Dandara, participa da etapa baiana da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (Conseg), que vai até hoje no Hotel Pestana. O jovem, que também é da Comissão Organizadora Estadual do evento, afirma que nos últimos dois anos tem sido perseguido e ameaçado pela Polícia Militar.
Ele revela que em junho de 2008 levou um tiro na cabeça, em São Caetano, no bairro onde mora e atua na ONG Dandara, e que, de acordo com o resultado da investigação da PM, o acidente aconteceu porque ele foi confundido com um policial. “Preciso acreditar que foi isso”, diz ele, que, um ano antes, em agosto de 2007, a polícia tentou prender em um evento da Dandara, em que era um dos organizadores. “Argumentaram que eu havia invadido o local. Como, se eu era um dos organizadores?” questiona.
É para evitar situações como essas que representantes da sociedade civil, dos governos federal, estadual e municipal e de profissionais da área de segurança fizeram a leitura nesta manhã do conteúdo dos GTs, para que sejam escolhidos as 21 diretrizes e os 7 princípios que representarão a Bahia, e votaram os 17 representantes da sociedade civil e 13 profissionais da área no encontro nacional de 27 a 30 de agosto, em Brasília.
O Grupo de Trabalho 5, que discute “Prevenção social do crime e das violências e construção da cultura de paz”, destaca como diretriz do item desarmamento, o “investimento em programas e projetos que fortaleçam a política de desarmamento e ajudem a construir uma cultura de paz e desarmamento”.
Para a coordenadora do Movimento Estado de Paz, a escritora Suzana Varjão, que integra este GT, um bom exemplo é o Estatuto do Desarmamento, “que entrou em vigor em 2003 e que agora corre o risco de mudar com as emendas propostas pela Câmara”. Recentemente foram apresentadas 123 emendas que ampliam o uso de armas no País.
Também gestora do Fórum Comunitário de Combate a Violência, Suzana avalia que o Conseg tem importância histórica, uma vez que “propõe a mudança de paradigma da segurança ao tentar transformar repressão qualificada em prevenção. “Em vez de trabalharmos as consequências, vamos investir na solução das causas”, diz.