O monumento em homenagem aos 400 anos de instalação do Tribunal da Relação do Estado do Brasil, comemorados no ano passado, foi inaugurado hoje pela manhã, na entrada principal do Tribunal de Justiça.
A obra é de autoria do artista plástico baiano Mário Cravo e, segundo o próprio artista, foi criada após um longo estudo dos aspectos históricos que envolvem a criação do primeiro Tribunal da Relação no país, no ano de 1609.
"Uma obra de arte só ganha sentido quando o espectador a observa com sensibilidade e imaginação. No caso dessa escultura, os aspectos históricos também são marcantes, o que confere à obra todo o sentido que deve ter para representar um momento tão importante da história da Justiça no País", afirmou o artista.
A solenidade foi aberta pelo presidente da Comissão de Memória do Tribunal, desembargador Antonio Pessoa Cardoso, que falou sobre a principal característica da escultura.

Presidente da Comissão de Memória, desembargador Antonio Pessoa Cardoso…

abriu a solenidade, realizada hoje pela manhã em frente ao Tribunal
"Como o próprio artista mencionou, o monumento é o único do seu acervo que permite o cidadão interagir com a peça, e isso é motivo de orgulho para o Tribunal de Justiça", afirmou.
A interatividade foi também destacada pela professora de História da Arte Estética, Maria Cecília Araújo de Noronha, do Paraná, mestra e pós-graduada em Educação e Museologia, ex-diretora de museus e curadora dos acervos de artes plásticas da Secretaria de Cultura do Estado do Paraná.
Na ocasião da seleção dos projetos, a professora citou as formas do monumento, que, segundo ela, se reportam claramente ao IV Centenário do Tribunal.
Em seguida, a 1ª vice-presidente, desembargadora Maria José Sales Pereira, relembrou as passagens históricas da instalação do primeiro Tribunal no País. "O monumento é a mais simbólica homenagem a essa conquista histórica", afirmou.

Desembargadora Maria José Sales Pereira, 1ª vice-presidente do TJ,
durante discurso
O desembargador Antonio Pessoa Cardoso acrescentou ainda que os trabalhos da Comissão de Memória não se encerram com a inauguração do monumento. "Queremos ainda dar andamento ao projeto do Livro do 4º Centenário", afirmou.
Estiveram presentes na solenidade, desembargadores, juízes, secretários e servidores do Tribunal, além de representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e advogados.

Escultor Mário Cravo, autor da obra recém-inaugurada
Visita – Na última sexta-feira, Mário Cravo visitou o desembargador Antonio Pessoa Cardoso, quando tratou, dentre outras questões, do processo de criação artística. Segundo ele, "o artista faz um levantamento histórico antes da execução da obra para que ela esteja situada dentro do universo histórico que dará origem a ela", afirmou.
Ainda de acordo com Mário Cravo, a obra está alicerçada em símbolos já existentes relacionados à Justiça, como a imagem da balança e da clava, e o seu papel foi o de reinterpretar os símbolos, rearrumando as formas, buscando uma nova representação metafórica.
Texto: Lorena Vasconcelos / Fotos: Nei Pinto