Diante da então iminente invasão holandesa à Bahia e da fuga de boa parte das tropas e da população, o governador Mendonça Furtado, em um ato de resistência desesperada, quis atear fogo ao paiol de pólvora porque não queria ser “cumplice de tão vergonhosa fuga nem infiel a seu rei”.
O episódio, relatado no livro “Memória da Justiça Baiana”, nos dá uma ideia das relações entre o Executivo e o Judiciário e a atuação de dois membros do então Tribunal da Relação do Estado do Brasil no período.
O auditor-geral, Pedro Casqueiro, responsável pela punição dos habitantes que desobedecessem às ordens de não retirar seus bens da cidade, acompanhou o governador até o último momento e salvou a sua vida, tirando-lhe a tocha das mãos e o acompanhando como prisioneiro até Amsterdã.
Outro magistrado da Relação que se destacou no período foi Antão de Mesquita, que assumiu a tarefa de reorganizar a resistência portuguesa, embora por um curto período, pois teve a autoridade contestada pelo influente bispo Marcos Teixeira, que acabou assumindo a função.
O padre Antônio Vieira nos dá seu testemunho da atuação do magistrado: “Fez tudo que poude, mas, impossibilitado do estado das cousas, não poude chegar ao muito que pretendeu”.
Após a expulsão dos holandeses, Antão de Mesquita foi responsável pelo inquérito sobre a destruição e a recuperação da cidade.
Fonte : Memória da Justiça Brasileira, 3ª edição, Salvador 2003