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Maria da Penha: mulher precisa denunciar violência

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Barris, perto das dez horas da manhã de hoje. Brilham os olhos de quem a aguarda. Com uma fita branca do Senhor do Bonfim no braço, Maria da Penha chega à Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Fotos, muitas fotos. Celebridade da luta contra a violência de gênero. Com um sorriso – que não larga do rosto da biofarmacêutica em quase nenhum momento – Maria da Penha respondeu às seguintes perguntas:
 
Como você avalia a aplicação da lei três anos depois da sua criação?
Tem municípios onde a lei é muito bem aplicada porque neles existem as políticas públicas de atendimento aos requisitos da lei. Infelizmente não são todos. Eu fiquei muito feliz de chegar aqui e tomar conhecimento da criação de três Varas, com perspectiva de mais dez nos municípios pólos e isso é muito importante porque a mulher sabe da lei, mas vai denunciar onde, se não tem uma delegacia da mulher, não tem um centro de referência para ela se conscientizar, nem tem uma casa/abrigo onde ela pode ser abrigada em caso de risco de morte?
 
A falta de denúncia ainda continua sendo o principal problema, em sua opinião?
Sim, porque quem é que pode acolher uma mulher se ela não denunciar? A porta de entrada é a delegacia da mulher, não é verdade? Então que exista a capacitação de todo e qualquer delegado para que, mesmo nesses municípios onde não há delegacia da mulher, o delegado entenda que ele vai ter que analisar uma vítima de um crime e aplicar a lei ao agressor.
 
E como você enxerga a criação de varas especializadas como esta?
É um avanço, com toda certeza. Essa lei veio para estruturar famílias, porque família que não sabe conviver em harmonia não é família. Destrói todos os valores aquela família constituída por um núcleo agressor, destrói os valores da dignidade, do respeito.

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