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O juiz e professor André Gomma de Azevedo disse hoje à tarde, ao iniciar o Curso de Aperfeiçoamento em Técnicas de Mediação para a sexta turma de magistrados do TJ, que um dos segredos da autocomposição está em compreender o que as partes realmente querem dizer, em vez de se prender ao sentido literal. “Isto é análise de discurso, ferramenta que, infelizmente, nós, operadores do Direito, não somos treinados para utilizar”, lamentou.
Ao serem questionados pelo professor sobre quais as ações na área de conciliação e mediação que já desenvolveram em suas comarcas, a maioria dos juízes participantes relatou não ter experiência alguma fora do rito processual.
Eles disseram que as poucas vezes em que praticaram a conciliação e a mediação foi de forma intuitiva, usando o bom senso, sem qualquer base técnica. “Daí a importância do curso”, acreditam, afirmando que os conhecimentos assimilados serão aplicados na formação de mediadores nas unidades onde atuam.
Segundo o juiz André Gomma, a mediação tem como objetivo permitir que partes, quando busquem auxílio para a solução de conflitos, recebam tratamento voltado a estimular maior compreensão recíproca, humanização da disputa, manutenção da relação social e, por consequência, maior realização pessoal.
“Mas isso não é algo que se domine apenas com este curso. É necessário aprofundar o treinamento no dia-a-dia, observando e aprendendo com os resultados”, afirmou.
O tema de hoje foi a “ Análise qualitativa de processos autocompositivos”. De amanhã a sexta-feira, quando as aulas passarão a ser dadas na Amab, das 9 às 18 horas, serão discutidos “Teoria do Conflito”, “Panorama do processo de mediação”, “Fundamentos de negociação”, “A sessão de mediação”, “O estabelecimento de uma relação de confiança”, “O controle sobre o processo”, “A provocação de mudanças” e “A mediação e o processo judicial”.
O mesmo conteúdo compõe o Manual de Mediação Judicial, publicação coordenada pelo professor André Gomma e distribuída entre os participantes do curso.