O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar ao Estado da Bahia e suspendeu, até julgamento final de mandado de segurança, a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que alterava a ordem de pagamento de precatórios alimentícios de cerca de R$ 101 milhões, em razão de recurso impetrado por três dos 520 credores.
Com a liminar, um novo acordo foi firmado com 517 credores para o pagamento de R$ 42 milhões relativos a 62 precatórios. As negociações envolveram o Núcleo Auxiliar de Conciliação de Precatórios do TJ, a Procuradoria Geral do Estado e a Secretaria da Fazenda.
No entendimento do relator Marco Aurélio, a decisão extrapola a competência administrativa do CNJ, “já que a questão de pagamento de precatório é judicial e que, de acordo com a Constituição, o exame da questão pertine ao Colegiado, e não ao relator, formalizando ato individual”.
O procurador do Estado Roberto Figueiredo, por sua vez, acredita que a decisão do CNJ inviabilizaria o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Precatórios, uma vez que abriria precedentes para que novos acordos só fossem fechados se houvesse consenso entre os credores, o que, na avaliação dele, representaria prejuízo ao interesse público.
Considerou ainda que o STF, ao restabelecer “um importante acordo judicial, com significativo impacto social e econômico”, permitiu que todos os precatórios alimentícios vencidos até dezembro de 2007 fossem quitados, a exemplo da negociação do dia 19 de novembro último, quando foi definido o pagamento de cerca de R$ 5,6 milhões em precatórios de natureza alimentar a nove credores.
Patrimonial
Amanhã será realizada no TJ, às 14 horas, uma audiência para deliberar com o Estado o pagamento de precatórios, desta vez de natureza patrimonial, no valor de R$ 177 milhões. O percentual do deságio, no entanto, informa o procurador Roberto Figueiredo, ainda está em fase de negociação, sendo que a última proposta apresentada pelo Estado foi de 64%, com exceção dos credores de precatórios referentes às desapropriações ocorridas na década de 1990 na Rua do Tingui, para os quais a proposta foi de 15%.