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As primeiras audiências da segunda etapa do projeto Pai Presente, encerradas no final da tarde de ontem, segunda-feira (3/10), registraram 51 audiências, com 18 reconhecimentos espontâneos de paternidade, 32 exames de DNA e um caso encaminhado ao Ministério Público.
As atividades estão sendo realizadas no Núcleo de Conciliação do Fórum das Famílias, na Rua do Tingui, em Nazaré. O trabalho prossegue nesta terça-feira (4/10) durante todo o dia.
Devido à greve dos Correios, as notificações tiveram que ser convertidas em ligações e e-mails, o que causou grande defasagem para o público atendido.
“Essa segunda etapa foi um pouco aquém do que esperávamos, mas assim que a greve acabar, vamos enviar novamente as notificações para a próxima etapa”, afirma a coordenadora do projeto, juíza-corregedora Maria Helena Lordelo.
A terceira etapa do projeto acontecerá nos primeiros dias de dezembro. Na próxima semana, serão realizadas as audiências referentes aos exames de DNA realizados na primeira etapa.
“Com as condições que tivemos para notificar as pessoas, o número de comparecimentos foi um milagre”, disse otimista a servidora Maria do Socorro.
Feliz estava o segurança Jailton Ferreira, 32 anos, demonstrou-o ao dar seu nome ao filho A.C.M, de 11 anos. “Não tinha registrado ainda por falta de oportunidade”, explica Jailton, que também afirmou não encontrar dificuldades para realizar o procedimento. “O atendimento foi rápido e fácil”.
Autônoma, a mãe da criança, Aline da Cruz, 28 anos, ressaltou os pontos positivos do registro. “Amanhã ou depois, quando ele crescer e arranjar um emprego, não vai ser discriminado por não ter o nome do pai”, disse.
Já a operadora de caixa, Juciara Silva, de 33 anos, não teve a mesma sorte. Ela cria sozinha o filho F.T.S.S, de 13 anos; ontem, ela aguardava o comparecimento do suposto pai, que não apareceu. “Ele liga às vezes, mas eu é que tenho que arcar com tudo: alimentação, material escolar. Tenho a vantagem de ter uma mãe que me ajuda muito”, desabafa.
O filho, no início da adolescência, não nega a falta que o pai faz. “Sinto muito a ausência dele, principalmente no Dia dos Pais e nos meus aniversários. Queria muito que ele estivesse aqui”, confessa o jovem, que só viu o pai uma vez.
O mesmo ocorreu com o correspondente bancário Luiz Eduardo Souza, de 21 anos. Fruto de uma relação prematura, conheceu o pai quando era pequeno, em uma audiência.
“Sempre quis ter o nome dos meus avós paternos, principalmente depois que soube que eles morreram sem que eu os conhecesse”, afirmou, garantindo que “nunca abandonaria um filho”.
O suposto pai de Eduardo mora em Minas Gerais, e não compareceu à audiência, alegando que não foi notificado.
Não foi o caso de Isaltino dos Santos, representante comercial, de 58 anos. Embora sempre tivesse convivido com o filho, B.A.D.R, 15 anos, não o tinha registrado ainda por falta de tempo. Foi notificado pelo projeto Pai Presente e fez o reconhecimento espontâneo. “Sempre quis registrá-lo, mas acabava tendo que fazer outras coisas. Essa oportunidade caiu do céu”, comemorou.
Texto: Bruna Rocha / Foto: Fábio di Castro