A segunda etapa do projeto Pai Presente será realizada nos dias 3 e 4 de outubro, no Núcleo de Conciliação do Fórum Ruy Barbosa, no mesmo local onde foi concluída na última quarta-feira dia 31 a primeira fase de audiências.
Nesta semana, de segunda a quarta-feira (31/8), foram executados os trabalhos iniciais da campanha, com um saldo total de 57 reconhecimentos espontâneos e 63 exames de DNA.
Em 133 audiências, 111 casos foram solucionados pelo Tribunal de Justiça, e 23 encaminhados ao Ministério Público Estadual.
“Esperamos um número ainda maior de pessoas na segunda etapa para que possamos reduzir ainda mais este número escandaloso de paternidades desconhecidas”, afirma o juiz Alberto Raimundo Gomes dos Santos, coordenador das Varas de Família. O magistrado também supervisionou as atividades do projeto, realizadas no 5º andar do Fórum Ruy Barbosa.
O trabalho, promovido pela Corregedoria-Geral da Justiça, envolveu servidores, magistrados, voluntários e o Ministério Público. Todos encerraram a primeira fase com ar de satisfação e missão cumprida.
“Encontro, resolução e eficiência é o que se pode dizer da campanha Pai Presente. Todos unidos em uma só finalidade, com muita harmonia e presteza”, comemora a servidora Maria do Socorro Pinheiro, assessora da juíza-corregedora Maria Helena Lordelo, que também trabalhou na organização do projeto. “O maior prazer de quem trabalha em algo deste porte é constatar o grande êxito obtido para os cidadãos”, completa Socorro.
A integrante do Núcleo de Controle de Produtividade da Corregedoria, Heloísa Casaes, concorda: “A experiência foi maravilhosa. Aconselhar, ajudar e interferir de forma positiva na vida das pessoas é compensador”.
E o clima era mesmo de pura alegria nos corredores do fórum, mesmo quando era impossível o pai, em alguns casos, estar presente. “Quero cumprir o papel do meu filho com minha netinha”, dizia emocionado o encarregado de obra, Uides Conceição, 42 anos, ao registrar sua neta de sete meses, após a morte do seu filho.
Mãe da criança, a estudante Edilene Rodrigues, 20 anos, confortou a dor da perda do marido após o registro paternal autorizado pelos avós. “É gratificante saber que minha filha não terá a presença do pai, mas vai saber quem ele foi, que não a abandonou, e sim foi embora por uma fatalidade”, explicou, sem esquecer as facilidades que a família encontrou para modificar o documento da filha. “Achei que fosse demorar, mas foi super rápido”.
Outra avó que colocou o nome paterno no registro da neta foi a auxiliar de serviços gerais que trabalha no Tribunal de Justiça, Sônia Souza, 55 anos. A servidora, que concilia o trabalho com a faculdade de psicologia, perdeu o filho há mais de um ano em um assalto à mão armada.
“Eu sinto muita alegria em estar fazendo algo que ele não fez por falta de tempo”, emociona-se ao contar que a nora estava com semanas de gestação quando o filho faleceu. “A sensação é de dever cumprido”.
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Texto: Bruna Rocha
Fotos: Nei Pinto