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Palestra vivencial estimula conciliação em questões familiares na Comarca de Castro Alves

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Antes de comparecer ao fórum do município de Castro Alves, no interior baiano, no dia 18 de outubro, a dona de casa Edilene Alves sequer falava com Gilson Conceição, pai de seu filho. Com audiência de conciliação marcada para 5 de novembro, primeiro dia da Semana Nacional de Conciliação (SNC) do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), Edilene compareceu apenas para assistir a uma palestra ministrada pelo juiz da comarca, Sami Storch. 

Alguns momentos após o evento, Edilene e Gilson já conversavam em frente ao fórum. Minutos depois, assinavam a ata da audiência de conciliação antecipada, firmando o acordo de pensão alimentícia. Com o conflito resolvido amigavelmente, os dois esbanjavam satisfação. “Acho que conseguimos chegar num consenso”, revelou aliviada Edilene.

Edilene e Gilson são apenas duas das cerca de 80 pessoas que assistiram e foram tocadas pela palestra vivencial “A separação de casais, os filhos e o vínculo que nunca se desfaz”, do magistrado Sami Storch. A partir da lista de processos que integrarão a SNC, o juiz selecionou 71 ações judiciais da área de Família, envolvendo separações, divórcios e pensões alimentícias, e convidou as partes para o evento no Salão do Júri do Fórum Desembargador Clóvis Leone.

Uma sessão preparatória para a Semana Nacional da Conciliação, o evento teve outro importante objetivo: conscientizar as pessoas – autoras e rés – de que as verdadeiras soluções para as questões familiares dependem da melhoria nos relacionamentos e do verdadeiro entendimento entre cada um dos envolvidos. Para tanto, o magistrado utilizou um método psicoterapêutico, de abordagem sistêmica fenomenológica, desenvolvido pelo filósofo e psicoterapeuta alemão Bert Hellinger: as Constelações Familiares.

Após a abertura do evento, no qual enfatizou que o “hoje não é dia de julgar, mas de conciliar, e um momento dedicado à meditação, o juiz convidou um casal de ex-cônjuges e quatro voluntários ao palco. Representando o casal em processo de divórcio e seus dois filhos, os voluntários compuseram a constelação familiar, cujo objetivo é identificar, através dos representantes, a dinâmica entre os membros da família do casal, seus conflitos, e a influência que as gerações passadas e seus problemas tiveram ou têm sob os indivíduos. 

Uma verdadeira terapia conciliatória, a constelação familiar permitiu às partes compreender melhor a origem do conflito, e conseqüentemente, se entenderem melhor. “Eu posso dizer que entendi e aprendi a lidar melhor com os nossos problemas e o divórcio”, revelou emocionada a manicure Eliana de Jesus. Seu ex-companheiro também não conteve as lágrimas depois de participar da dinâmica: “Foi muito interessante. Eu sinto que estou mais próximo dela, e mais disposto para a conciliação”, declarou Edvando Cruz.

“Traz uma forma diferente para as pessoas refletirem sobre a situação familiar, que às vezes é tratada tão bruscamente”, comentou Joilson Jesus. O voluntário que representou o filho dos ex-cônjuges, Joilson não escondeu o entusiasmo com a palestra e a dinâmica: “Acredito que o que aconteceu aqui vai levá-los a uma mudança. Eu já estou pensando em como posso levar isso para a comunidade”, revelou o agente comunitário de saúde, que também é líder de um sindicato local. 

“Essa sessão conciliatória não só vai facilitar os acordos para a conciliação, mas também vai proporcionar o efetivo entendimento entre as pessoas”, afirmou o juiz Sami Storch. “Ela pode ter servido para aumentar o reconhecimento do vínculo entre as pessoas envolvidas na ação e conscientizá-las de que elas precisam estar juntas de alguma forma para lidar com os filhos. Elas precisam se entender” enfatizou o magistrado.

Um evento inaugural, a palestra vivencial é mais um exemplo das iniciativas desenvolvidas pelos magistrados e servidores do Poder Judiciário baiano para promover a pacificação social na sociedade. Uma ação que difunde a resolução dos conflitos de maneira mais humana e amigável, a palestra também dá força ao movimento pela conciliação.

“Qualquer novidade demora um tempo para ser plenamente aceita. Considerando isso, eu vejo que a receptividade foi boa. Espero que as pessoas possam ter aproveitado”, disse Sami Storch. “Dependendo da aceitação que eu observar, posso fazer um grupo semanal ou mensal com a população, para, gradualmente, ir promovendo esse entendimento no seio da comunidade, evitando a cultura do litígio e aumentando a cultura da paz”, concluiu o magistrado.

Texto e foto: Ascom 

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