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Processos de crianças acolhidas em instituições de Salvador estão sendo avaliados em audiências concentradas

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Durante os meses de novembro e dezembro representantes da 1ª Vara da Infância e Juventude, Ministério Público e Defensoria Pública estão se reunindo com os membros de entidades de acolhimento de Salvador para discutir a situação das crianças e jovens abrigados nesses locais.

Nesta terça-feira (20/11), as audiências foram realizadas na Casa de Ajuda Social à Criança, no bairro do Itaigara. Representantes das Secretarias Municipais do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão (Setad) e da Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secult) também estiveram presentes no quinto dia de atividades das Audiências Concentradas – a segunda edição deste ano.

Embora nenhuma criança tenha sido reintegrada ao ambiente familiar, quatro acolhidos foram encaminhados para o cadastro de Adoção Internacional, uma vez que, devido a idade avançada, possuem pouca possibilidade de adoção nacional.

Além disso, alguns direcionamentos foram iniciados para dar um suporte social às famílias que têm interesse em recuperar a guarda dos acolhidos institucionais. A jovem Mariele Ferreira, de 18 anos, acolhida há onze na Casa de Ajuda Social, também participou das audiências, apesar da maioridade. Ela recebeu orientação quanto aos rumos que pretende tomar, agora que já tem 18 anos. Atualmente, Mariele participa do projeto Jovem Aprendiz em uma empresa em Simões Filho e tem planos de estruturar a vida antes de sair do abrigo. “Quero terminar o estágio, arranjar um trabalho para comprar minha casa e construir minha vida com minha irmã”, planejou.

Outra audiência verificou a situação de S.S.A, de 7 anos, acolhido há oito meses por opção da família. A criança estava se envolvendo com o tráfico de drogas do bairro onde morava e já havia fugido uma vez por oito dias. Tia e tutora de S.S.A, a cabeleireira Railene Santos buscou junto às autoridades presentes uma solução para o caso do sobrinho. Concluíram que ele deveria ficar mais algum tempo, pelo menos até conseguir uma vaga em uma escola de ensino integral, onde possa desenvolver atividades esportivas, artísticas e educacionais. “Achei o procedimento muito bom, todo mundo unido para achar uma saída. Várias cabeças pensando é melhor do que uma só”, avaliou a cabeleireira.

A juíza Karla Barnuevo, coordenadora das atividades e responsável pela 1ª Vara da Infância e da Juventude de Salvador, contou com a ajuda da promotora Jaqueline Duarte e da defensora Laíssa Araújo para avaliar os processos. De acordo com a magistrada a participação de vários atores ajuda muito na análise dos casos. “Em um dia conseguimos ver a vida de todos os acolhidos de uma entidade. Isso é muito bom. Eu anoto tudo e o que não conseguimos resolver aqui, eu dou continuidade na Vara”, explicou a juíza.

A Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) também acompanhou as audiências, assim como os funcionários da Vara da Infância e da entidade de acolhimento.

Segundo a presidente da entidade, Maria Otilha Fiusa, “o trabalho das audiências concentradas rendeu bons resultados para a Casa de Ajuda Social”.

Os trabalhos das audiências concentradas prosseguem em Salvador até 12 de dezembro. As próximas unidades a participar são: Lar Pérolas de Cristo, unidade de Tubarão, nos dias 26, 27 e 28/11 e 04/12; Organização do Auxilio Fraterno (OAF), na Lapinha, no dia 05 de dezembro; Lar Benedita Camurugi, no bairro Cidade Nova, no dia 10 de dezembro e Lar da Criança, na Vila Laura, no dia 12 de dezembro.

Texto: Ascom / Fotos: Nei Pinto 

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