Nas telas pintadas nas aulas de artes, a expressão de sentimentos trazidos de casa e de histórias vividas durante os dois meses do Programa Caminho. Um dos garotos desenhou um carro de polícia todo salpicado de tinta, uma das meninas a imensidão do mar, outra, uma casa escura. São retratos de situações cotidianas ou de como esses adolescentes enxergam a vida.
São meninos e meninas, entre 14 e 17 anos, alunos de escolas públicas de Salvador e moradores de bairros periféricos da cidade. Cidadãos com poucas oportunidades e muitos sonhos, que encontram no Programa do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) uma chance de ir além.
O Programa, idealizado pelo juiz assessor da Presidência, Ricardo Schmitt, e coordenado pela Universidade Corporativa (Unicorp) do TJBA, ministrou palestras educativas e de cidadania com o objetivo de contribuir na formação desses jovens.
Juliana Silva Machado, de 15 anos, estudante do 9º ano da Escola Municipal Alan Kardec, situada no Alto do Coqueirinho, tem na ponta da língua o que vai levar pra casa depois desse curso. “Aprendi que as pessoas tem que sonhar e realizar e depois desse curso vou buscar o meu sonho e o que eu quero realizar para a minha vida”, declarou Juliana.
Foram palestras de Ética, de sexualidade e saúde, de direitos e deveres e dos problemas causados pelo uso de drogas. Além de aulas de artes cênicas e visuais e de informática. Toda a programação foi ministrada na Fundação Lar Harmonia, no bairro de Piatã.
As oficinas, batizadas de “Construindo o Saber”, foram realizadas durante os meses de maio e junho, todas as terças e quintas-feiras. As duas primeiras turmas, uma pela manhã e outra pela tarde, foram compostas por 20 alunos cada uma, com carga horária de 40 horas semanais. Ao todo serão 15 oficinas, divididas em seis ciclos até o final de 2013, com expectativa de alcançar 120 jovens.
As oficinas foram ministradas pela coordenadora do projeto, Manuela Portela, pelo juiz Ricardo Schmitt e pelos professores Pedro Vivas e Jairo Eleodoro. Além disso, contaram com o auxílio de psicólogos, psiquiatras e psicanalistas. “ O Resultado foi o melhor possível. Trabalhamos com valores e já é possível notar a mudança no comportamento deles” , disse a coordenadora. “Aprendi a me valorizar mais”, afirmou Jonathan Santana de 14 anos.
Os alunos que mais se destacaram no Programa vão ser aproveitados para estágio de nível médio no TJBA. As obras produzidas por vão ser expostas na Fundação Lar Harmonia e na Sede do Tribunal. Os quadros serão colocadas à venda e o dinheiro arrecado será revertido para os alunos. Também está sendo produzido um livro com os pensamentos dos adolescentes sobre ética e cidadania e que foram trabalhados durante o Programa.
“Agora eu tenho certeza que eu sou capaz e que posso alcançar os meus objetivos. E aprendi muito sobre ética, moral e cidadania”, destacou Emily de Souza, 16 anos. “Esse é um dos projetos do Judiciário que mais aproxima a instituição da nossa realidade social”, avalia Ricardo Schmitt. A semente plantada para a vida desses jovens deixa a certeza da construção de um caminho de esperança e motivação.
Texto e fotos: Agência TJBA de Notícias