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A próxima etapa do projeto Pai Presente promete ser de muito suspense para os envolvidos nos processos de paternidade. A abertura dos exames de DNA, realizados pelos supostos pais, está prevista para a próxima segunda-feira (10/10), no Núcleo de Conciliação do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, no Fórum das Famílias, em Nazaré.
São 65 laudos, emitidos pelo Centro de Diagnóstico (CDG) do Grupo de Assistência à Criança com Câncer (GACC), parceiro do Tribunal de Justiça há três anos.
Para os exames que derem resultado positivo, serão promovidas audiências de reconhecimento de paternidade no mesmo dia, das 9h às 18h
Na terça-feira (4), foi encerrada a segunda etapa de audiências, iniciada na segunda-feira (3). “Estamos diante de um trabalho célere, organizado e com muita dedicação dos servidores”, afirmou a promotora Eunice Lynch, depois de atuar nos dois dias de audiências. “Não participei da primeira etapa, por estava em férias, e me surpreendi muito. Temos agora é que expandir”, disse, empolgada.
Emoção
Formalidade e emoção se misturavam durante as audiências O pintor Robson Couto, de 39 anos, não relutou em registrar a filha, M.M.N, 9 anos, fruto de um noivado com a doméstica Maria do Carmo Mota, 45 anos. “Não registrei antes por falta de tempo. Pretendo mudar isso agora, estou muito feliz em vê-la”, referiu-se à filha, quem não via há mais de um ano, embora more na mesma cidade.
A criança não podia esconder a euforia com a situação. “Agora todos vão saber que eu tenho um pai de verdade”, comemorou.
O marinheiro George José, 38 anos, notificado para investigar a paternidade de Otton Vitor, de 18, contou o quanto o projeto Pai Presente mexeu com sua vida.
“Fui uma das primeiras pessoas a fazer exame de DNA aqui na Bahia. Em 1982, fiz o exame para comprovar a paternidade de meu pai biológico. O resultado deu positivo, mas como eu convivia com meu padrasto, minha mãe não viu necessidade de realizar o registro”, explicou, lembrando que “anos depois, quando tive que tirar meus documentos, vi a falta que fez o nome de meu pai”.
George teve um relacionamento passageiro com Nadja Nair, mãe de Otton, mas não suspeitava de que pudesse ser o pai.
“Devido à minha história, eu sou, especialmente, a favor deste tipo de ação. Acredito na seriedade do Judiciário e, caso a paternidade seja comprovada, pretendo resgatar o tempo perdido e construir uma relação com meu filho”, garantiu o marinheiro.
A terceira etapa do projeto acontecerá nos primeiros dias de dezembro.
Texto: Bruna Rocha / Fotos: Fábio di Castro