No terceiro dia de audiências, a Semana Nacional da Conciliação, iniciada na última segunda-feira na Bahia, continua promovendo acordos nas unidades da capital e do interior do Estado.
Em Valença, no Baixo Sul, a conciliação segue em clima de entusiasmo entre voluntários, defensores públicos e advogados, que reúnem-se no Salão do Júri do Fórum Gonçalo Porto de Souza para participarem das audiências agendadas.
No interior do Estado, a comarca de Valença foi a que designou o maior número de processos para a Semana Nacional. No total, foram inscritos 2.651 feitos, com destaque para 1ª Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis, Comerciais, Consumidor, Registros Públicos e Fazenda Pública, que designou 2.169 processos para o período.

Fórum de Valença: grande movimento devido às audiências de conciliação
A juíza Alzeni Alves, responsável pelo terceiro ano de mobilização do Movimento pela Conciliação de uma das maiores comarcas da região, acompanha de perto todas as audiências, atendendo a cada chamado.
Questionada sobre qual o maior entrave para a concretização dos primeiros acordos, a magistrada não hesitou na resposta: "A distância. Muitas vezes uma das partes não comparece para a conciliação porque não pode se deslocar, ou porque um de nossos oficiais de Justiça não conseguiu localizá-la em localidades ou municípios circunvizinhos, para entregar a intimação. Mas, vale ressaltar que, estando as partes envolvidas no litígio presentes, na maioria dos casos, nós conseguimos alcançar a conciliação", afirmou a magistrada, orgulhosa.

Juíza Alzeni Alves, de verde, está à frente dos trabalhos em Valença
Em meio a uma centenas de pessoas que buscam resolver pendências judiciais através do diálogo, estórias de êxito traduzem as palavras da juíza.
O impasse jurídico entre Rodolfo Santos Pereira e Marta Kelly Lima de Souza, ex-companheiros que têm em comum uma filha de 10 anos, é um exemplo.
A falta de pagamento da pensão alimentícia deu início a um processo em andamento desde 2003. Após alguns minutos de conversa e da boa vontade entre as partes, o acordo foi, finalmente, alcançado.
O pai da criança realizou o pagamento imediato de R$ 144 à mãe da criança, que concordou em rever os meses atrasados em um acordo seguinte. Com o recibo de pagamento em mãos, Rodolfo Santos levará à extinção mais um processo litigioso que se arrastou no Poder Judiciário por mais de sete anos.
Para o defensor público Carlos Vasconcelos, que intermediou a conciliação entre Renato e Marta, "esse é o novo caminho da Justiça: conciliar".
O advogado Pedro Geraldo do Nascimento, presidente da subseção da OAB, em Valença, está otimista com o resultado final das eleições. "A perspectiva é realizar 80% das conciliações agendadas".
Diálogo – A defensora pública e também voluntária, Renata Vidal, considera a ação da Semana Nacional da Conciliação de "suma importância". Ao lembrar as sábias palavras do jurista baiano, Ruy Barbosa, resumiu em poucas palavras porque é preciso enveredar pelo caminho mais ágil e simples do diálogo, característico da conciliação: "Justiça atrasada não é justiça".
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Texto e fotos: Georgia Cedraz