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O Salão Nobre do Fórum Ruy Barbosa recebeu grande público hoje à tarde
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, do Ministério da Saúde, foi apresentada hoje à tarde pelo médico Baldur Shubert, coordenador da ação, aos servidores e magistrados do Poder Judiciário baiano, no salão nobre do Fórum Ruy Barbosa.
A palestra marcou o lançamento do Setembro Azul, Programa de Saúde do Homem, realizado pela Secretaria de Administração do Tribunal de Justiça, por intermédio da Diretoria de Assistência à Saúde. O objetivo é alertar servidores e magistrados, além de esclarecê-los e incentivá-los a terem cuidados com a própria saúde.
A política nacional foi elaborada após discussões, em todos os Estados, com professores universitários, sociedades médicas, gestores, ONGs e consultas públicas, e aprovada por unanimidade pelo Conselho Nacional de Saúde.
As consultas, de acordo com Shubert, foram de fundamental importância devido à quantidade de pessoas atingidas pela política em todo o País: são 52,9 milhões de homens entre 20 e 59 anos, quase 30% da população brasileira.
Todas as capitais e as cidades mais desenvolvidas de cada Estado, totalizando 80 municípios, aderiram à iniciativa. Segundo o Dr. Baldur Shubert, 15 milhões de homens já foram beneficiados pelo Ministério da Saúde.
Para mostrar a importância do prograna, o médico apresentou dados referentes à expectativa de vida da população masculina. Os números mostram que, apesar de a expectativa de vida dos homens ter aumentado de 59,7 para 68,4 anos entre 1980 e 2005, desde 91 vem se mantendo a média de 7,6 anos de vida a menos que as mulheres.
Outro dado importante é que, em 2005, do total de mortes de pessoas entre 20 e 59 anos no País, idade do público-alvo da política, 68% eram homens.
Diante desse quadro, e para mostrar a urgência de uma atenção especial voltada para o homem, o médico salientou que, enquanto existe um programa de saúde das crianças há 40 anos, das mulheres há 26, e dos idosos há 8 anos, a política voltada para o homem completa somente um ano e 15 dias.
Junto com a Irlanda e a Inglaterra, o Brasil é um dos países pioneiros a implantar uma política de saúde pública especialmente para o público masculino.
Uma das razões do homem ter mais problemas de saúde que as mulheres, segundo Baldur Shubert, se deve ao fato de não tomar os mesmos cuidados e procurar menos tratamento médico.
O médico explicou que isso se deve, em parte, a questões sociais, tais como o apego a estereótipos de gênero, o medo de descobrir doenças e ao papel de provedor que o homem assumiu historicamente, que o constrange a não demonstrar fragilidades.
Outra razão está na própria estrutura das unidades de saúde, que não privilegiam o atendimento ao homem.
Ao final, o palestrante, juntamente com o médico Ricardo Cavalcanti, que lançou a Política Nacional de Saúde do Homem, e outros médicos, tiraram dúvidas do público.
Texto: Marcos Fontoura / Fotos: Nei Pinto